Ouarzazate – Quinta-feira, 9 Junho 2005
Distância percorrida: 76 km
O nosso primeiro objectivo foi conquistado! Completar o 1250 km que faltaram ao Sérgio hà sete anos para completar a travessia integral de Marrocos. Em duas fases Sérgio Saltão completa a travessia de Marrocos em BTT, e em autonomia.
1997 - Sérgio e Carlos fazem Tanger - Rabat - Casablanca - Marrakesh - Ouazarzate2005 - Sérgio e Tiago fazem Ceuta - Fés - Merzouga - Agdz - Ouazarzate.
Mas teríamos que lutar arduamente até ao fim, e ainda nos falta o toque final, a ascensão ao Toubkal (4164m).Um dia que seria fácil e com poucos quilómetros a percorrer, revelou-se um verdadeiro pesadelo.O Sérgio está muito mal da sua dor de garganta e ouvido, a infecção piorou e tem dificuldades em beber e até em falar. Iniciamos o dia a um ritmo muito lento, rolamos a 10/15 km/h. E passados poucos quilómetros somos deparados com algo que não estava no mapa, uma subida acentuada com 15 km de extensão! Nós nem queríamos acreditar! No início foi muito penoso com o calor já a fazer os seus estragos, e a travessia dos dois últimos dias deu cabo de nós, estamos esgotados.Após subirmos apenas 2 km paramos, ficamos ali os dois a olhar para a montanha em frente e a recuperar a respiração. Não podia crer… Neste ritmo iríamos demorar muitas horas a sair dali. Após termos amaldiçoado várias vezes aquela subida e o calor, bebemos água, o Sérgio ingere dois analgésicos para as dores e continuamos a subir.Após tudo o que passamos não seria esta subida que nos iria derrotar. Dentro de nós começou a nascer de novo a força, lembramo-nos de todas as dificuldades que passamos para chegar ali. Começamos a pedalar com mais força e convicção, rolávamos a 10/16 km/h. Curva após curva, apenas se via o resto da subida, nunca o seu fim, aquilo parecia nunca mais acabar.Mas felizmente lá acabou, e aqui em Marrocos existem duas verdadesUniversais: atrás de uma subida vem sempre outra (ainda maior); e tudo o que sobe vai ter de descer um dia.E como descia! À nossa frente estendia-se uma descida interminável e extremamente acentuada. Chegou a altura de bater o nosso recorde de velocidade. No Média Atlas tínhamos chegado aos 68 km/h, queríamos quebrar a barreira dos 70 km/h. Eu decido colocar o capacete, não que adiante muito; o Sérgio já não tem o seu.A descida começa com curvas, vamos ganhando alguma velocidade. Até que chegamos a uma enorme recta, inclino-me para a frente para tentar fazer peso no guiador e assim ganhar mais alguma estabilidade. Todo o meu corpo vai tenso, não sei se é para ganhar mais velocidade ou se é da tensão. Vamos os dois realmente depressa, vou atrás do Sérgio para aproveitar o seu túnel de vento. Se ele cair eu não tenho tempo de me desviar, e qualquer queda a esta velocidade...74 Km/h, foi esta a nossa velocidade máxima!Quando faltavam 30 km para Ouarzazate, somos brindados com o regresso da chuva. As nossas suspeitas estão confirmadas, a tempestade forma-se no Toubkal e desloca-se em bloco para sul. Um dos indícios que confirma é o caudal dos rios formados por estas trombas de água. O caudal que os rios adquirem é impressionante, em poucos segundos os leitos secos tornam-se autênticos rios. Isto indica uma forte precipitação nas zonas montanhosas.Conseguimos também observar os raios a atingirem os cumes à nossa volta.Isto vai complicar muito a nossa ascensão ao Toubkal. A minha esperança é que estas monções acabem antes da nossa chegada lá, daqui a dois dias. Isto já dura à cerca de uma semana, agora resta-nos esperar.Entretanto estamos abrigados debaixo do duplo tecto da tenda que serve como abrigo improvisado, enquanto o Sérgio conversa com o Sª Pedro dizendo "É só isto que tens?! Seu fraco!!". Acho que o calor já lhe afectou o pensamento.Com o abrandar da chuva e do vento voltamos ao caminho rumo a Oarzazate.Finalmente chegamos, exaustos. Os dias passados nestas condições começam a pesar no corpo, a falta de higiene e a alimentação estão lentamente fazer estragos no nosso corpo. A infecção do Sérgio piora cada dia que passa, e o meu intestino e estômago andam num caos. TC
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
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