Distância percorrida: 30 km
Hoje começa a segunda parte da nossa viagem e eu estou todo entusiasmado!Apanhamos uma camioneta que liga Oarzazate a Aguim. Optamos fazer estes 50 km de camioneta para pouparmos tempo e tentarmos avançar o máximo hoje, antes de sermos apanhados pelo mau tempo.À chegada a Aguim o Sérgio diz-me que não se está a sentir nada bem… Eu vejo na cara dele que está a fazer um grande esforço para tentar o Toubkal.Começamos a nossa subida de 70 km até ao Lago Ifni, pensamos chegar lá em dois ou três dias. Depois rezamos para que estejam lá as mulas e os seus carregadores, pois como ainda não estamos na época alta e estamos na vertente menos utilizada, não é certo que as mulas estejam lá.O caminho é duro e bastante íngreme, percorremos um trilho que vai ligando as várias aldeias que por aqui encontramos. Percorremos uma encruzilhada de trilhos, e vamos seguindo o que nos parece o mais correcto, já que nenhum deles aparece no mapa.É meio-dia e nos cumes à nossa volta caem relâmpagos. O tempo lá em cima está muito fechado. Estamos com um bom andamento, conseguimos fazer uma média de 8/10 km/h, e se o tempo ajudar chegamos ao lago amanhã.O estradão começa a fazer os seus estragos, o Sérgio tem um furo e alguns metros à frente rebenta a corrente.Após termos percorrido 20 km começa a chover, voltamos a tirar o duplo tecto para nos abrigarmos. Aqui o granizo é mais forte e maior, e vento também sopra mais forte. Os próximos dez quilómetros são feitos assim: parar para deixar a chuva passar e andar mais uns metros.Chegado o meio da tarde a chuva não passa, apenas fica mais forte. Já tínhamos percorrido 30 km, por hoje só nos resta montar a tenda. Os trilhos estão transformados em lama com grandes poças de água. Ainda por cima estamos com pneus mistos, ou seja, nada apropriados para estas condições.Montamos a tenda debaixo de chuva, tentando molhar ao mínimo o interior da tenda. Enfiamos as nossas coisas (molhadas) lá dentro e entramos, estamos cansados e irritados. Sentimo-nos fortes, apesar de todo o cansaço acumulado. Estávamos a andar bem, mas com estas condições é impossível.Na minha cabeça começam-se a formar bastantes dúvidas, a possibilidade de desistir começa a formar-se. Com estas condições mesmo que consigamos forçar até ao lago, a subida até ao refúgio aos 3200 metros será muito complicado, e a ascensão quase impossível.Enquanto aquecemos água para prepara o nosso empadão de carne liofilizado, tomamos uma decisão. Se amanhã de manhã estiver "bom" tempo, continuamos. Se estiver mau tempo, desistimos.Durante a noite mal prego olho, a tenda é iluminada por relâmpagos que caem nos cumes ao lado e o vento sopra com força. Não quero acreditar que cheguei até aqui e vou ser obrigado a desistir. Ainda por cima por mau tempo… Nunca pus essa hipótese! Para mim seria mais óbvio acontecer algo com as bicicletas ou connosco, mas nunca pensei que o mau tempo fosse um problema. TC
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
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